Arquivo para setembro, 2009

Em busca do tempo perdido

Posted in Inspiradores, Para Refletir on 29/09/2009 by afotobrasilia

 

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ENTREVISTA COM JONI STERNBACH

Apesar do pique slow motion de suas imagens, Joni Sternbach é rápida no gatilho. Professora de arte na Universidade de Nova York, há anos pesquisa antigas técnicas fotográficas e desenvolve projetos ousados. Para realizar os retratos de Surfland, por exemplo, teve de levar um estúdio portátil para a praia, além de equipamento, material químico e guarda-chuva. A ferrotipia, técnica utilizada pela fotógrafa, foi criada por volta de 1850. Depois do clique, os produtos químicos devem ser aplicados à mão, expostos e desenvolvidos sobre uma placa de ferro molhada. Durante o processo, é preciso ficar imóvel e fazer silêncio absoluto. Com toda a parafernália, foi impossível passar despercebida. “Os surfistas me acharam”, brinca ela, que sem esforço convenceu várias figuras da Califórnia e da região de Montauk, NY, a participarem da empreitada. Um ano depois, Sternbach exibe hoje 47 fotografias no Peabody Essex Museum, em Massachusetts. A seguir, o bate-papo com Joni.

Por Ana Maria Peres

De onde vem seu interesse pelo surf?

Tenho fotografado pessoas na praia há quatro anos. Os retratos de Surfland foram uma evolução de meu trabalho anterior, sobre detalhes do mar e do céu. Por este motivo, tive de retornar diversas vezes para o mesmo local, em Ditch Plains, na região de Montauk. Os surfistas compõem a paisagem de lá, de forma que encontraram um caminho para entrar nas minhas fotografias e na minha vida. 

Você já conhecia alguns dos personagens retratados?
Nenhuma alma. Simplesmente armei acampamento na praia com a câmera, mais a caixa escura, e esperei que aquela instalação despertasse algum interesse. Deu certo.

Assim como a fotografia, a praia subverte o tempo?
Sim. Você pode estar lá por horas e ter a sensação de que uma vida se passou, ou achar que o relógio estava em fast-foward. Na praia, estamos despidos de nossa rotina e imersos em outro aspecto da vida, chamado tempo livre.

Como descobriu a ferrotipia?
Por meio do fotógrafo John Coffer, um mestre da ferrotipia que vive no norte do Estado de Nova York. Ele mantém um estilo de vida do século 19, sem eletricidade e conveniências modernas. A ferrotipia pode ser atribuída à lei de Murphy: se algo tem chance de dar errado, com certeza dará. Várias coisas podem acontecer durante o processo, incluindo problemas com a química ou com o calor. Na hora de fotografar, você tem de estar preparado: talvez chova, role uma ventania e estrague tudo. O processo todo é lento e demanda horas.

Com esse projeto, você quis provocar uma discussão sobre o ritmo non-stop atual?
De certa forma, sim. Utilizei uma técnica que é a antítese da fotografia digital. A natureza inerente desse processo inclusive desperta para a questão da velocidade do tempo. Além disso, as fotos exibem uma desaceleração, pois poderiam ter sido produzidas há 150 anos.  De toda forma, creio que estamos correndo contra o tempo, mas o desperdiçamos com bobagens.

*As fotos de Joni Sternbach mostram pessoas diferentes, mas que claramente formam um mesmo cardume. Não só porque gostam de surfar, mas porque usam a mesma ferramenta para conseguir equilíbrio. Remam para o oceano, para se religarem. Não só (ou necessariamente) ao cardume, mas para religar seus saberes internos, aquelas mesmas evidências da alma, que vão se apagando, se diluindo e esmaecendo, quando nada é feito contra a ação da correria burra, da vida meramente cerebral, do chamado turbilhão de informação, do fluxo indomável de pensamentos, de afazeres, de metas, de missões, de prazos, de disputas, da competição doente por poder e acumulação e de expectativas que nunca são satisfeitas ou nem sequer relativamente domadas.

Paulo Lima

A reportagem completa cujo tema é Desaceleração pode ser vista e lida na edição 181 da Revista Trip.Boas reflexões!

Política cultural

Posted in Eventos nacionais, Notícias on 28/09/2009 by afotobrasilia

s_mambertiA Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto apresentado pela deputada Fátima Bezerra (PT-RN) que estabelece o Plano Nacional de Cultura (PNC). O ator e presidente da Funarte, Sérgio Mamberti, chorou. “Este é um projeto de muitos anos de luta, de muitas vidas, por isso me emocionei”. O PNC define as diretrizes das políticas culturais no Brasil para os próximos 10 anos e cria o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). A aprovação do PNC vai garantir uma continuidade para a política cultural brasileira. “Essa foi uma importante conquista para a nossa cultura, agora vamos ter políticas públicas para a cultura de forma institucionalizada”, destacou Fátima Bezerra.

Foto: Procurei em toda a rede e não consegui encontrar o autor deste belíssimo retrato por nada neste mundo, quem souber me avise o mais rápido possível, obrigado!

Transformações Visíveis

Posted in Para Refletir on 17/09/2009 by afotobrasilia

Claudia Andujar (11)E vai dizer que a fotografia não transformou nossas próprias vidas? Vai dizer que nunca sentiu uma fotografia desviar seu caminho?

As fotografias que me importam são as que transformam – me criam marcas. Provocam aberturas (mesmo mínimas)(…) Gosto das marcas. Gosto de ser atingida por uma foto. As das quais sou alvo e que transpiram, desdobram-se em outras angústias, alegrias, críticas. Transformações? De todo tipo. Visíveis, óbvias, mínimas, significativas: deslocamentos lentos, imediatos, submersos. Deslocamentos de mundo que fazem ver o filho da gente de outro modo. Fazem lembrar nossas o próprias fotografias de um jeito que a gente nunca fez. Remontam nossas idéias. Nos enjoam, voltam a aparecer num sonho. Fotografias que produzem sentidos inesperados: rompem o pretenso equilíbrio de nossas vidas, nos desconcertam, nos riem. Imagens que fazem a gente gostar de viver. Fotografias que pesam, exibem lacunas. Fotografias que fazem visíveis a morte. Nos fazem indignar. Fotografias que produzem silêncios profundos.(…)Tais fotografias, mesmo que algumas doces, exercem um tipo próprio de violência. Quando isso acontece, instauram a possibilidade de mudança, produzem brecha para um novo modo do nosso corpo se saber, do nosso olhar se ver. Produzem pensamento – mesmo que na fugacidade de um incômodo.(…)Uma fotografia que transforma, abre sempre a possibilidade de um novo corpo. Quantos corpos me fizeram ter as fotografias da minha vida? E quantas também não foram as transformações que imprimi nas fotografias que vi? Há como uma transformação mútua, se elas me fizeram outras, também transformei as fotografias, seus sentidos e histórias.”

Claudia Linhares Sanz

Foto: Claudia Andujar

Fontes: Paraty em Foco e Studium

Por Que Eu Fotografo? Carlos Aversa

Posted in Por que eu fotografo? on 17/09/2009 by afotobrasilia

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Por Que Eu Fotografo? Arthur Monteiro

Posted in Por que eu fotografo? on 17/09/2009 by afotobrasilia

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Por Que Eu Fotografo? Alessandro Pacheco

Posted in Por que eu fotografo? on 17/09/2009 by afotobrasilia

Alessandro Pacheco

Subterrâneas Passagens

Posted in Associados, Eventos nacionais, Notícias on 17/09/2009 by afotobrasilia

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